Povos indígenas do Brasil lideram protestos internacionais do “Janeiro Vermelho”

Atriz vencedora do Oscar Julie Christie e manifestantes na Embaixada do Brasil em Londres, pedindo que o Presidente Bolsonaro proteja as terras indígenas e pare o genocídio no Brasil.

Atriz vencedora do Oscar Julie Christie e manifestantes na Embaixada do Brasil em Londres, pedindo que o Presidente Bolsonaro proteja as terras indígenas e pare o genocídio no Brasil.

© Rosa Gauditano/APIB/Survival

Protestos contra as políticas anti-indígenas do Presidente Bolsonaro estão ocorrendo no Brasil e ao redor do mundo para marcar seu primeiro mês no poder.

Os manifestantes estão segurando cartazes dizendo “Sangue Indígena, Nenhuma Gota a Mais!”, “Pare o genocídio no Brasil” e “Bolsonaro: proteja as terras indígenas”.

Os protestos estão sendo liderados pela APIB, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, para sua campanha “Sangue Indígena – Nenhuma Gota a Mais”, e as atividades deste mês, o “Janeiro Vermelho”.

Manifestantes dos povos indígenas Awa, Kaapor, Guajajara, Tremembé e Gamela em Santa Inés, Maranhão

Manifestantes dos povos indígenas Awa, Kaapor, Guajajara, Tremembé e Gamela em Santa Inés, Maranhão
© Mídia Índia/Survival International

Antes de ser eleito presidente, Bolsonaro era notório por suas opiniões racistas. Um dos seus primeiros atos ao assumir o poder foi remover a responsabilidade pela demarcação de terras indígenas da FUNAI e entregá-la ao Ministério da Agricultura, ato que a Survival classificou como “praticamente uma declaração de guerra contra os povos indígenas do Brasil”.

O Presidente Bolsonaro também transferiu a FUNAI para o novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, liderado pela pastora evangélica Damares Alves, em mais uma medida destinada a enfraquecer drasticamente a FUNAI.

Encorajados pelo novo presidente e por sua longa história de retórica anti-indígena, os ataques de fazendeiros e pistoleiros contra as comunidades indígenas aumentaram dramaticamente.

O território dos Uru Eu Wau Wau, por exemplo, foi invadido, colocando em risco indígenas isolados; e centenas de madeireiros e colonos estão planejando ocupar a terra dos Awá, um dos povos mais ameaçados do mundo.

Mas os povos indígenas do Brasil estão resistindo. “Nós temos resistido por 519 anos. Nós não vamos parar agora. Vamos juntar todas as nossas forças e vamos vencer”, disse Rosilene Guajajara. E Ninawa Huni Kuin afirmou: “Lutamos para proteger a vida e a terra. Defenderemos nossa nação.”

A APIB afirmou: “Temos o direito de existir! Não vamos recuar. Não vamos hesitar em denunciar esse governo e o agronegócio nos quatro cantos do mundo.”

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB – disse: “Nós povos indígenas estamos na linha de frente das ameaças porque sem território, deixamos de existir.”

O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje: “Tendo sofrido 500 anos de genocídio e massacres, os povos indígenas do Brasil não ficarão intimidados pelo Presidente Bolsonaro, por mais ofensivas e antiquadas que sejam suas opiniões. E é inspirador ver quantas pessoas ao redor do mundo estão ao lado deles.”

Nota aos editores Protestos estão ocorrendo em todo o Brasil e em Berlim, Madri, Milão, Lisboa, Londres, Los Angeles, Paris, São Francisco, Washington, Zurique e outras cidades.

Fotos serão publicadas aqui durante o dia:

Manifestantes indígenas em Santa Inês, Maranhão

Manifestantes indígenas em Santa Inês, Maranhão
© Mídia Índia/Survival International

Manifestantes entregaram uma carta na Embaixada do Brasil em Londres, pedindo para o Presidente Bolsonaro respeitar os direitos indígenas.

Manifestantes entregaram uma carta na Embaixada do Brasil em Londres, pedindo para o Presidente Bolsonaro respeitar os direitos indígenas.

© Rosa Gauditano/APIB/Survival International

© Rosa Gauditano/APIB/Survival International

Manifestantes do povo indígena Awá, Maranhão

Manifestantes do povo indígena Awá, Maranhão

© Marcelo Ferreira/Survival International

Manifestantes indígenas em Fortaleza, Ceará

Manifestantes indígenas em Fortaleza, Ceará

© APIB

© Rosa Gauditano/APIB/Survival International

© Rosa Gauditano/APIB/Survival International

Manifestantes na Embaixada do Brasil em Berlim.

Manifestantes na Embaixada do Brasil em Berlim.

© Survival International

Manifestantes em Madri, Espanha, entregando uma carta na Embaixada do Brasil.

Manifestantes em Madri, Espanha, entregando uma carta na Embaixada do Brasil.

© Survival International

Manifestantes em Milão, Itália, no Consulado do Brasil.

Manifestantes em Milão, Itália, no Consulado do Brasil.

© Survival International

Manifestantes em Milão, Itália, entregando uma carta no Consulado do Brasil.

Manifestantes em Milão, Itália, entregando uma carta no Consulado do Brasil.

© Survival International

© Rosa Gauditano/APIB/Survival International

Manifestantes na Terra Indígena Wawi

Manifestantes na Terra Indígena Wawi

© Kamikia Kisedje

Na Embaixada do Brasil em Paris, França.

Na Embaixada do Brasil em Paris, França.
© Survival

Barcelona, Espanha

Barcelona, Espanha

© Survival International

Embaixada do Brasil en Madri, Espanha.

Embaixada do Brasil en Madri, Espanha.

© Survival International