FRONTEIRAS DE RESISTÊNCIA:

A LUTA GLOBAL DOS POVOS INDÍGENAS ISOLADOS

Acesse agora o novo relatório

Saiba mais aqui

Declaração da Survival sobre a aprovação do PL490 na câmara dos deputados

1 junho 2023

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ao manchar as ruas de vermelho, os manifestantes mostram quanto sangue foi derramado na luta pela proteção de terras indígenas. Abril de 2018.

Esta página foi criada em 2023 e talvez contenha linguagem obsoleta.

 

A aprovação do PL490 na câmara dos deputados é o pior ataque aos direitos indígenas em décadas.

Apesar da mudança no governo, o lobby dos ruralistas continua forte e mostrou que vai continuar pressionando pela destituição dos direitos indígenas conquistados com muita luta nos últimos 50 anos.

Este projeto de lei é inconstitucional e ataca os povos indígenas e seus direitos em todos os níveis: ele destrói a proteção legal dos territórios indígenas, dando aos poderosos do agronegócio liberdade para invadir e desmatar terras indígenas.

O PL agora segue para apreciação no senado, onde sua votação ainda não tem data marcada. Caso seja aprovado no senado, o resultado será catastrófico para os povos indígenas do Brasil e para as terras mais biodiversas do mundo, cuja proteção hoje está garantida graças ao cuidado que esses povos dedicam a seus territórios.

O PL490 visa, entre outros pontos:

- Retirar dos indígenas o "usufruto exclusivo” de suas terras, caso sejam "áreas cuja ocupação atenda a relevante interesse público da União";

- Permitir a anulação de terras indígenas quando houver "alteração" dos "traços culturais" de uma comunidade;

- Abrir um precedente para o contato forçado com indígenas isolados ao afirmar que o mesmo pode ser realizado "para intermediar ação estatal de utilidade pública” - o que pode significar o genocídio de povos indígenas isolados;

- Implementar a tese do marco temporal, tese inconstitucional que afirma que os povos indígenas que não consigam provar que estavam em suas terras quando a constituição foi assinada, em outubro de 1988, não terão seus direitos territoriais reconhecidos;

- Ignorar a consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, abrindo terras já demarcadas para diversas atividades exploratórias, como agronegócio, mineração e construção de hidrelétricas;

- Dar aos invasores o direito de permanência, pois a expulsão deles só seria permitida após a conclusão do processo de demarcação.

Os povo indígenas do país e seus aliados, como a Survival, estão se mobilizando e lutando contra mais um ataque genocida contra seus direitos.

 

Povos indígenas

Povo

Compartilhe