Os Mashco PiroOs Mashco PiroOs Mashco PiroOs Mashco PiroOs Mashco Piro

Vivendo nas profundezas da Amazônia peruana, acredita-se que os Mashco Piro sejam o maior grupo de indígenas isolados do mundo, com aproximadamente 750 indivíduos.

Em julho de 2024, a Survival divulgou imagens de um grande grupo de indígenas Mashco Piro que apareceram na beira de um rio em seu território. A terra onde vivem esses indígenas isolados está sob intensa pressão de madeireiras.

Tendo sobrevivido a um traumático passado de massacres e trabalho escravo, eles têm deixado clara a sua determinação de defender seu território.

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Na década de 1880, o território dos Mashco Piro passou a ser invadido por trabalhadores envolvidos na extração de látex. Essa época ficou conhecida como o ciclo da borracha que varreu o oeste da Amazônia e escravizou milhares de indígenas em suas próprias terras. Além da enorme violência que sofreram, eles também tiveram suas terras roubadas. Mas alguns conseguiram escapar: os Mashco Piro adentraram a floresta, procuraram remotas nascentes de rios e se mantiveram isolados. Hoje, seus descendentes que continuam vivendo isolados veem suas terras serem invadidas mais uma vez: uma importante parte do seu território foi vendida para a exploração madeireira e agora o barulho das motosserras pode ser ouvido de longe.
© W Hardenburg

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Em 2002, em resposta ao lobby da organização indígena FENAMAD (Federação Nativa do Rio de Madre de Dios e Afluentes), o governo criou a Terra Indígena Madre de Dios para proteger o território dos Mashco Piro. A floresta exuberante e cheia de vida se estende por diversas bacias hidrográficas próximas à fronteira com o Brasil.

Os Mashco Piro às vezes atravessam o rio próximo a uma aldeia Yine. © Ministerio de Cultura de Perú

Mas a terra indígena foi delimitada para ocupar apenas um terço da área proposta pela FENAMAD. Grandes áreas do território Mashco Piro ficaram fora dos limites da terra indígena e, portanto, ficaram desprotegidas. Para piorar a situação, o governo vendeu grande parte desta área para concessões madeireiras, dando a empresas o direito de, por décadas, extrair mogno e outras madeiras nobres no local.

Uma das maiores concessões é operada por uma empresa madeireira chamada Canales Tahuamanu SAC. Suas operações são certificadas como sustentáveis ​​e éticas pela FSC (Forest Stewardship Council), em clara violação as suas próprias regulamentações contra a extração de madeira em territórios indígenas.

Na área onde a Canales Tahuamanu opera, a perda de grandes partes de floresta está expulsando os Mashco Piro da sua terra. Nos últimos anos, eles têm aparecido nas margens de rios próximos a comunidades de indígenas Yine, um povo contatado. Às vezes eles pegam bananas e mandiocas nas hortas dos Yine, ou pedem facões e panelas.

A língua Yine é parecida com a dos Mashco Piro, e quando eles aparecem em busca de comida e outros itens, os dois grupos conseguem se comunicar.

O povo Yine costuma ouvir indígenas Mashco Piro se aproximando: eles assobiam antes de saírem da floresta, imitando o canto alto e fino de um pássaro, como um aviso para outros ficarem longe enquanto eles coletam ovos de tartaruga, frutas e vegetais.

No verão, os Mashco Piro fazem acampamentos temporários na beira dos rios onde se reunem para coletar ovos de tartaruga. © Heinz Plenge Pardo / Frankfurt Zoological Society

Mesmo tendo um ancestral em comum, o contato entre os Yine e os Mashco Piro é perigoso para ambos os lados. Os Mashco Piro isolados não têm imunidade contra doenças comuns e, por isso, o simples contato poderia dar início a uma epidemia mortal entre eles. Ocasionalmente, os Mashco Piro também atacam outras comunidades próximas, por razões ainda desconhecidas, mas acredita-se que estão relacionadas à contínua invasão do seu território.

Muitos indígenas Yine defendem os Mashco Piro. Por exemplo, eles plantam uma roça extra – um “chacra” – nos limites da sua aldeia, onde os indígenas isolados podem se alimentar e depois voltar para a floresta.

Peru: Mashco Piro on the riverbank

Os madeireiros que trabalham para a Canales Tahuamanu, além de estarem adentrando a floresta dos Mashco Piro, também construíram cerca de 200 quilômetros de estradas na área. Estradas são historicamente desastrosas: dão acesso a áreas mais remotas da Amazônia e abrem caminho fácil para a ocupação e a colonização de uma região de floresta anteriormente inacessível.

Por medo de serem impedidos de trabalhar na área, os madeireiros não relatam avistarem os Mashco Piro. Um homem Mashco Piro disse a um indígena Yine: “Os homens vestidos de laranja são pessoas más.” Os madeireiros usam macacões laranja.

A Canales Tahuamanu tem frequentemente usado o sistema judiciário para defender suas atividades madeireiras. Em um desses processos, eles até entraram com uma ação judicial para impedir que os Yine entrassem na floresta que partilham com os Mashco Piro – alegando que, por ser protegida, os Yine estavam invadindo o território.

Depois que a FENAMAD fez uma declaração criticando a empresa por desmatar terras indígenas durante a pandemia de COVID-19, a empresa os processou. A Canales Tahuamanu ganhou o processo e a FENAMAD foi forçada a publicar uma carta endossando as ações e políticas da empresa – silenciando uma forte voz indígena na região.

Observando o comportamento agressivo da empresa, Cali Tzay, Relator Especial da ONU sobre os direitos dos povos indígenas expressou preocupação com o bem-estar dos Mashco Piro e com os efeitos da ação judicial contra a FENAMAD. Ele disse: “Ataques e difamações contra defensores de direitos humanos e ambientais e líderes indígenas procuram deslegitimar e criar mal-entendidos sobre o trabalho que fazem”.

 

Às vezes, os Mashco Piro são vistos por turistas que estão a caminho do Parque Nacional Manu. © Gabriella Galli/Survival

Organizações indígenas do Peru fizeram uma longa campanha para que as autoridades ampliassem a terra dos Mashco Piro. Em 2016, todos os departamentos governamentais relevantes aprovaram a expansão, e o processo seguiu para a fase final, o decreto presidencial (Decreto Supremo em espanhol).

Mas o decreto ainda não foi assinado, e a extração de madeira continua. Enormes quantidades de madeira extraídas do território Mashco Piro continuam a ter o selo de aprovação da FSC - o que a Canales Tahuamanu utiliza para conferir legitimidade as suas atividades.

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A Survival tem trabalhado com as organizações indígenas locais FENAMAD e AIDESEP para garantir que as terras dos Mashco Piro sejam devidamente protegidas. Também estamos pressionando a FSC para retirar a certificação da Canales Tahuamanu. Aja agora para apoiar a campanha.

 

Este homem Mashco Piro está segurando uma faca feita de madeira que possui na ponta um dente de capivara, 2011. © Jean-Paul Van Belle

 

Nós compartilhamos o território com os isolados há muitos anos, desde criança. Meu pai me conta que quando eles atiram uma flecha, você não tem que avançar, tem que retornar, porque é assim que eles dizem 'estamos aqui'. Então já sabemos que temos que voltar. Sempre compartilhamos o território com eles e eles nunca fizeram nada de ruim para a gente. Eles nos veem, mas não nos incomodam. Mas aquilo foi anos atrás. Agora, desde que foram dadas as concessões madeireiras, eles já se sentem pressionados porque as empresas os atacaram.
Enrique, homem Yine

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