Raya, um idoso Nahua. Mais da metade de seu povo foi extinto após a abertura de suas terras para exploração de óleo

Raya, um idoso Nahua. Mais da metade de seu povo foi extinto após a abertura de suas terras para exploração de óleo © Johan Wildhagen

O Departamento de Assuntos Indígenas do governo peruano revelou planos de abrir reservas de tribos indígenas isoladas para companhias de óleo – isso dias antes do novo governo assumir o poder.

Novas leis permitiriam que o Estado conceda às companhias de óleo e gás livre acesso para exploração de reservas indígenas, apesar do risco extremo a que estará expondo a vida dos indígenas.

A proposta gerou uma onda de críticas de organizações indigenistas.

Na Amazônia peruana existem em torno de 15 tribos indígenas que têm decidido resistir ao contato com o mundo exterior; todas podem sofrer extinção caso suas terras sejam abertas.

Os críticos da nova proposta têm destacado sua coincidência oportuna com planos de expandir os campos gigantes de gás do projeto Camisea no sudeste do Peru.

O controverso projeto de gás abrange significante parte da reserva Kugapakori-Nahua-Nanti, área conhecida por abrigar várias tribos isoladas.

De acordo com a principal organização indigenista na Amazônia peruana, AIDESEP, qualquer nova exploração na reserva violaria condições estabelecidas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, que financiou o crescimento da Camisea.

Leis peruanas e internacionais determinam que povos indígenas devem ser consultados sobre projetos que venham a afetar suas terras. No caso de tribos isoladas, tal consulta não é viável.

A Survival está clamando pela parada imediata de toda e qualquer exploração de óleo e gás em terras de tribos isoladas.

O Diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje: ‘Isso é uma jogada inacreditavelmente cínica do governo que está saindo. Se esse tipo de trabalho continuar, o departamento responsável pelos assuntos indígenas logo não terá índios para proteger. A abertura de reservas onde moram tribos isoladas irá, quase que certamente, provocar a extinção desses povos. Se o novo governo tem qualquer compromisso com a proteção dos povos indígenas, deve abandonar tais projetos.’