Zezico Guajajara, Guardião da Amazônia e defensor de terras indígenas, é morto a tiros

Zezico Guajajara, Guardião da Amazônia, foi morto a tiros em março de 2020.

Zezico Guajajara, Guardião da Amazônia, foi morto a tiros em março de 2020.
© Zezico Guajajara

Zezico Guajajara, um guardião indígena da Amazônia, foi morto a tiros. Seu assassinato ocorre menos de cinco meses após o assassinato de outro guardião, Paulo Paulino Guajajara. Além de defender a floresta, o Zezico também era uma liderança do seu povo, e diretor do Centro de Educação Indígena Azuru.

As circunstâncias da morte de Zezico ainda não são claras, mas os Guardiões são frequentemente ameaçados pelas máfias poderosas de madeireiros que exploram ilegalmente a floresta da Terra Indígena Arariboia, lar do povo indígena Guajajara e de indígenas isolados do povo Awá.

Os Guardiões patrulham a floresta, procurando os invasores e os expulsando. É um trabalho muito perigoso: cinco Guardiões já foram mortos e seus líderes recebem constantes ameaças de morte.

Paulo Paulino Guajajara, Guardião da Amazônia, morto por invasores em 2019

Paulo Paulino Guajajara, Guardião da Amazônia, morto por invasores em 2019
© Sarah Shenker/Survival International

O coordenador dos Guardiões, Olímpio Guajajara, disse hoje: “Perdemos mais um companheiro batalhador – um homem que defendia a vida. Estamos abalados. Estamos de luto. Estamos protegendo a floresta para todos os seres humanos, mais estamos sendo assassinados por esse grande capital com muito poder. Por que precisa ser assim? O próximo pode ser eu ou outro que vai ser morto. O governo atual é brutal e seu racismo está encorajando mais violência contra nós. Sabemos que tem muita impunidade aqui mas queremos justiça e queremos o apoio de pessoas ao redor do mundo.”

Madeireiros, fazendeiros, garimpeiros e outros exploradores têm se sentido encorajados a invadir terras indígenas pelo discurso e ações claramente anti-indígenas do atual governo. Desde que Bolsonaro assumiu a presidência, o número de invasões a terras indígenas e de ataques contra as comunidades aumentou drasticamente.

Madeireiros no território dos Awá. A destruição ilegal da floresta pode tornar impossível a sobrevivência dos Awá.

Madeireiros no território dos Awá. A destruição ilegal da floresta pode tornar impossível a sobrevivência dos Awá.
© Bruno Kelly/Greenpeace

A pesquisadora e ativista da Survival, Sarah Shenker, que conhecia o Zezico, disse hoje: “Zezico estava sempre cheio de energia e lutou sem medo para proteger a floresta e melhorar a vida de seu povo. Os madeireiros estão desesperados para se livrar dos Guardiões, tirando-os a vida, um por um. Enquanto a atenção do mundo está focada na pandemia do coronavírus, os indígenas continuam lutando na linha de frente para salvar as florestas para suas famílias, pelos povos indígenas isolados e por toda a humanidade. Eles precisam que pessoas de todo o mundo os apoie agora mais do que nunca.”