Um Guardião da Amazônia morto e outro baleado em ataque de madeireiros armados no Maranhão

Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara, Guardião da Amazônia, em uma expedição para combater a invasão ilegal de sua floresta.

Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara, Guardião da Amazônia, em uma expedição para combater a invasão ilegal de sua floresta.
© Sarah Shenker/Survival International

Um Guardião Guajajara foi morto a tiros e outro ferido após uma emboscada de madeireiros armados.

Paulo Paulino Guajajara, também conhecido como Kwahu Tenetehar, levou um tiro no pescoço e morreu na floresta. Seu colega, Tainaky Tenetehar, levou um tiro nas costas e um no braço, mas conseguiu escapar.

Há vários anos os Guardiões da Amazônia vêm realizando patrulhas em seu território no Maranhão, pois sua floresta tem sido fortemente invadida por madeireiros. Indígenas isolados Awá também vivem no território.

Pelo menos três Guardiões já foram assassinados e muitos de seus parentes também foram mortos por madeireiros e grileiros que invadem seu território, a Terra Indígena Arariboia, que agora é a última área de floresta que resta na região.

Paulo Paulino (no centro) e Tainaky Tenetehar (à esquerda) destroem um acampamento de madeireiros ilegais em seu território, em uma operação realizada no início do ano.

Paulo Paulino (no centro) e Tainaky Tenetehar (à esquerda) destroem um acampamento de madeireiros ilegais em seu território, em uma operação realizada no início do ano.

© Sarah Shenker/Survival International

No início deste ano, Paulo Paulino disse à Survival: “Fico com tanta raiva de ver isso [a destruição da floresta]! Essas pessoas pensam que podem vir aqui, para a nossa casa e fazer o que querem da nossa floresta? Não. Não vamos permitir. Nós não invadimos suas casas e roubamos, não é? Meu sangue está fervendo. Estou com muita raiva.”

Neste vídeo enviado às autoridades em junho de 2019, Paulo Paulino (parte de trás à esquerda) e Tainaky Tenetehar (parte de trás à direita) apareceram ao lado do coordenador dos Guardiões, Olimpio Guajajara, para avisar que suas vidas estão em risco.

Sonia Guajajara, coordenadora da APIB, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, afirmou mais cedo: “É hora de dar um basta nesse genocídio institucionalizado! Parem de autorizar o derramamento de sangue de nosso povo!”. Uma delegação da APIB está em turnê pela Europa para destacar o racismo e ataques genocidas desencadeados pelo presidente Bolsonaro.

A Survival tem apoiado os Guardiões há muitos anos. A ativista da Survival no Brasil, Sarah Shenker, que acompanhou os Guardiões em uma de suas operações este ano, disse hoje: “Kwahu era extremamente dedicado a defender sua floresta e seus parentes isolados, apesar dos riscos. Ele também foi uma das pessoas mais humildes que já conheci.”

“Ele sabia que poderia pagar com a vida, mas não via alternativa, pois as autoridades não fizeram nada para proteger a floresta e defender o estado de direito.”

“Essa é a realidade da vida de muitos indígenas brasileiros e ficou muito pior sob o governo do presidente Bolsonaro. Ele incentiva os madeireiros e grileiros, e não garante proteção aos defensores da floresta, deixando-os à mercê de máfias de madeireiros fortemente armados e violentos.

“Mas os Guardiões não vão desistir, e nem seus aliados. Se o presidente Bolsonaro pensa que esse tipo de brutalidade vencerá, ele está muito enganado.”

Nota aos editores:

- Uma equipe da FUNAI e a polícia foram enviados para a floresta para encontrar o corpo de Kwahu, mas ainda não confirmaram a morte oficialmente. A emboscada, no entanto, está sendo amplamente divulgada no Brasil. A Survival falou com o Tainaky Tenetehar que estava na emboscada e ele confirmou os fatos.