Janildo Oliveira Guajajara, Guardião da Amazônia, foi assassinado.

Janildo Oliveira Guajajara, Guardião da Amazônia, foi assassinado. © Social media

Os Guardiões Guajajara, grupo que patrulha e protege seu território para expulsar madeireiros ilegais, publicaram uma declaração sobre a morte do Guardião Janildo que foi assassinado no sábado (03) – o sexto indígena do grupo a ser morto nos últimos anos.

Janildo Guajajara foi baleado em uma cidade próxima à Terra Indígena Arariboia (MA). Relatos informam que houve uma emboscada enquanto ele caminhava pela rua.

Membros do povo indígena Guajajara criaram o grupo de Guardiões para proteger o território de Arariboia, sua floresta que está sendo intensamente invadida por madeireiros ilegais, e os indígenas isolados do povo Awá com quem dividem a terra. Antes dos Guardiões começarem seu trabalho, uma década atrás, havia 72 pontos de entrada para a extração ilegal de madeira no território: agora, existem apenas cinco.

Há muitos anos a Survival apoia os Guardiões, como parte da campanha internacional pela sobrevivência do povo indígena isolado Awá. Os Guardiões, a Survival e outros aliados estão pedindo uma investigação completa sobre o assassinato de Janildo.

Um dos líderes dos Guardiões, Olimpio Guajajara, disse hoje: “Mais um Guardião assassinado. É o sexto Guardião que foi matado e nenhum dos outros assassinos dos Guardiões da floresta foram punidos, nem estão atrás das grades. Então, clamamos e apelamos para a justiça brasileira e que seja feita a justiça para poder colocar esses assassinos na cadeia.”

Tainaky, Paulo Paulino e Olimpio Guajajara destroem um acampamento de madeireiros ilegais em seu território em uma operação, em 2019.

Tainaky, Paulo Paulino e Olimpio Guajajara destroem um acampamento de madeireiros ilegais em seu território em uma operação, em 2019. © Sarah Shenker/Survival

Na declaração publicada, o grupo diz: “O guardião Janildo Oliveira Guajajara já atuava conosco desde 2018 e atuava na região do Barreiro – Terra Indígena Arariboia, em aldeia próxima do local de uma estrada aberta por madeireiros e que foi fechada pelos guardiões. Desde então, ele e outros guardiões da região sofrem ameaças constantes e cada vez mais as ameaças se intensificam.”

“Por todos esses anos fizemos e continuaremos a fazer a proteção territorial mesmo sendo ameaçados e mortos. Somos contrários a violência que mata e destrói, por isso lutamos pela vida. Nosso povo clama por justiça e exigimos a devida investigação desse e de outros assassinatos contra o povo Tenetehar e queremos resposta da justiça de mais esse crime bárbaro.”

Sarah Shenker, pesquisadora e ativista da Survival, que tem acompanhado o trabalho dos Guardiões há anos, disse hoje: “A onda de violência genocida desencadeada contra os povos indígenas pelo presidente Bolsonaro não para. Há um clima de total impunidade, onde as forças poderosas que roubam terras indígenas – garimpeiros, madeireiros, grileiros e outros – acham que podem fazer o que quiserem e sem serem punidos. Eles estão sendo ativamente encorajados pelo atual governo brasileiro, e em todo o país os indígenas estão resistindo.”

“Janildo sabia que poderia ser morto, mas estava determinado a ser um Guardião, pois não via outro caminho para o futuro de sua família e de sua floresta. A justiça deve ser feita por ele, por Paulo Paulino Guajajara, e por todos os outros indígenas mortos na linha de frente da luta pela terra. E as pessoas ao redor do mundo devem atuar com cada vez mais forças para impedir o genocídio do Brasil e as forças globais que o alimentam, para a sobrevivência dos povos indígenas isolados e todos os povos indígenas, e as terras que cuidam há gerações.”