Morte de mulher Awá destaca a negligência do governo

A morte de Ajrua Awá é uma grande perda para a sua comunidade

A morte de Ajrua Awá é uma grande perda para a sua comunidade

© Domenico Pugliese

Uma mulher Awá morreu de uma doença facilmente tratável, apesar de o governo brasileiro receber fundos de uma empresa de mineração para o atendimento da tribo.

Ajrua Awá tinha 40 anos e era mãe de 5 crianças, o mais jovem com 10 anos. A sua morte é uma grande perda para esta comunidade dos índios Awá, que conta com um pouco mais de 160 pessoas.

Ela morreu este mês de leishmaniose, uma doença que é facilmente tratável com um atendimento de saúde adequado. O CIMI, uma organização brasileira de defesa dos direitos dos indígenas informou que ela vinha sofrendo dos síntomas por mais de um mês.

Numa carta enviada às autoridades, pesquisadores que trabalham há anos com os Awá alertam ‘O caso de Ajrua ilustra a negligência com que vêm sendo tratados esses indígenas… que têm sido frequentemente desrespeitados no seu direito a uma assistência mínima à saúde, que considere suas necessidades e seu entendimento particular sobre o que seja saúde e doença.’

Muitos Awá morreram de doenças comuns quando suas terras foram abertas na década de 1970 pelo Programa Grande Carajás, que incluiu a construção da maior mina de minério de ferro do mundo.

Muitos outros Awá foram mortos por colonos que invadiram seus territórios na esteira do programa e, em alguns casos, famílias inteiras foram massacradas.

Vale, a empresa mineradora responsável pelo projeto, forneceu um financiamento substancial para o governo brasileiro para apoiar o seu trabalho com os Awá. Entretanto, muito pouco desse dinheiro foi usado em benefício da tribo.

A empresa agora está planejando expandir sua linha ferroviária que liga a mina até a costa e que passa pela terra Awá, sem o consentimento dos índios.

Os Awá são hoje a tribo mais ameaçada do mundo, com uma população total de apenas 450 pessoas, e suas terras estão sendo invadidas por ondas de madeireiros, colonos e fazendeiros ilegais. Eles são uma das últimas tribos remanescentes de caçadores-coletores nômades no Brasil, e eles dependem completamente de sua floresta para a sua sobrevivência.

Especialistas alertaram que os Awá estão enfrentando o genocídio e a extinção.

Survival está pedindo uma investigação adequada sobre a morte de Ajrua, para um programa abrangente de atendimento à saúde dos Awá, e para que os invasores sejam retirados das terras Awá antes que mais vidas sejam perdidas.