Brasil ignora prazo para salvar a tribo mais ameaçada do mundo

Os Awá têm medo de caçar na floresta porque eles temem ataques de madeireiros ilegais

Os Awá têm medo de caçar na floresta porque eles temem ataques de madeireiros ilegais

© Survival International

Um dia antes do Dia do Índio nesta sexta-feira (19), a Survival International está instando o governo brasileiro para finalmente agir para salvar da extinção os Awá, a tribo mais ameaçada do mundo.

As autoridades brasileiras ignoraram um prazo urgente dado por um juiz federal para a remoção, até o final de março, de todos os invasores da terra central dos Awá.

Os Awá enfrentam o risco extremo de extinção porque as autoridades não tomaram iniciativa para impedir que madeireiros ilegais e colonos destruam a sua floresta.

Em março de 2012 o Juiz Jirair Aram Meguerian ordenou que todos os madeireiros e colonos ilegais fossem removidos em um ano. Mas o prazo já se esgotou e nenhum invasor foi despejado.

Mais de 30% de um dos territórios dos Awá já foi desmatado. Os índios reportam que os madeireiros estão cercando as comunidades rapidamente e já marcaram árvores que devem ser cortadas a uma distância de três quilômetros de onde os indígenas vivem. Caminhões carregados de madeira deixam a área durante o dia e noite e os índios estão assustados para caçar na sua floresta.

Haikaramoka’a, um índio Awá, disse à Survival International: ‘Os madeireiros estão mexendo na mata nossa.
 Eles botaram estradas. Temos medo; podem ir atrás dos isolados.
 A gente tem medo porque os madeireiros podem matar nós, e os isolados.’

Caminhões carregados de madeira deixam a floresta dos Awá durante o dia e noite.

Caminhões carregados de madeira deixam a floresta dos Awá durante o dia e noite.

© Survival International

Os Awá dependem da floresta para sua sobrevivência: ela fornece alimentos, abrigo e é seu lar espiritual. Hoje, cerca de 100 dos 450 Awá permanecem isolados e têm um maior risco de contaminação por doenças trazidas por forasteiros – a gripe comum pode ser fatal para eles.

Nos anos 80 a população Awá foi drasticamente reduzida pela exposição causada pela construção da Estrada de Ferro Carajás, que cortou seu território para levar minério de ferro da mina no Pará até a costa do Maranhão. O projeto Grande Carajás foi parcialmente financiado pelo Banco Mundial e pela União Europeia. O fluxo de trabalhadores levou violência e doenças à região e muitos Awá foram massacrados.

Quase 50.000 cartas já foram enviadas ao Ministro da Justiça do Brasil desde que o ator Colin Firth lançou a campanha da Survival para salvar os Awá. Mas a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) ainda espera apoio do Ministério da Justiça, da Polícia Federal e do governo central para expulsar os invasores.

O Diretor da Survival International, Stephen Corry, afirmou hoje: ‘O Brasil já destruiu inúmeras tribos, seja por fracassar ao protegê-las ou por encorajar a exploração de sua terra. Ainda não é tarde demais para os Awá, mas logo será. O Ministro da Justiça é inteiramente capaz de expulsar os madeireiros, mas precisa agir hoje. Se não houver ação, no futuro próximo os Awá terão desaparecido.’