Paulo Paulino Lobo Guajajara, Guardião da Amazônia, foi assassinado por invasores em uma emboscada.Paulo Paulino Lobo Guajajara, Guardião da Amazônia, foi assassinado por invasores em uma emboscada.

© Sarah Shenker/Survival International


No dia 07 de dezembro de 2019, dois indígenas Guajajara foram assassinados a tiros e outros dois ficaram feridos. Os disparos foram efetuados por ocupantes de um veículo, à margem de uma estrada que atravessa a Terra Indígena Cana Brava. Esse ataque ocorre em pouco mais de um mês do assassinato de Paulo Paulino Guajajara, Guardião da Amazônia, que foi morto por proteger a floresta. 

A violência que assola as terras indígenas no Maranhão tem responsáveis e culpados. As invasões e ataques contra indígenas em todo território nacional são encorajados pela política genocida de Estado, que desmantela os serviços públicos que deveriam protegê-los e que incentiva a violência contra eles através de uma retórica e de políticas anti-indígenas. Esse é o pior momento para os povos indígenas desde a ditadura militar.

Desde o começo de sua campanha eleitoral, o Presidente Jair Bolsonaro está atacando intensamente os direitos dos povos indígenas. Ele quer acabar com a autonomia deles, “integrá-los” à força e roubar as terras indígenas. Está tentando desmantelar a FUNAI, a Fundação Nacional do Índio, e facilitar ao agronegócio e às indústrias extrativistas a exploração dos recursos das terras indígenas.

Em seu primeiro dia como presidente, Bolsonaro tirou a FUNAI do Ministério da Justiça e a colocou sob a competência do recém-criado Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, da ministra Damares Alves, uma pastora evangélica que possui histórico de apoio a políticas anti-indígenas. Ele ainda retirou a responsabilidade de demarcar terras indígenas da FUNAI para colocá-la no Ministério da Agricultura. Felizmente, a Câmara e o Senado, alguns meses depois, rejeitaram ambas manobras. 

A estratégia do governo Bolsonaro para enfraquecer a FUNAI tomou um novo formato: as chefias, incluindo a presidência da Fundação, são agora preenchidas por militares e pessoas simpáticas às políticas pró-agronegócio. As últimas consequências desse projeto foram a orientação de não permitir que os funcionários do órgão façam visitas de trabalho a terras indígenas ainda não homologadas e o esvaziamento da base de proteção do Vale do Javari. Ambas consequências são extremamente graves pois ameaçam inúmeros povos indígenas, incluindo indígenas isolados, os povos mais vulneráveis do planeta.

A ameaça à vida dos povos indígenas, porém, também se apresenta no discurso anti-indígena do Presidente e de membros do governo. As constantes comparações dos indígenas com animais dos zoológicos e povos pré-históricos são apenas alguns exemplos. Assim como as menções de que esses povos seriam uma barreira para o desenvolvimento do país enquanto, na verdade, eles são uma barreira de proteção ao meio ambiente. O incentivo verbal à exploração de terras para o garimpo ilegal tem um reflexo impactante, assim como o desmantelamento das políticas de proteção ao meio ambiente que abrem ainda mais espaço para as invasões às terras indígenas e às áreas de proteção ambiental.

Ao lamentar o assassinato de Raimundo Guajajara e Firmino Guajajara no último sábado, Sonia Guajajara denunciou: “Estamos à deriva, sem a proteção do Estado brasileiro, cujo papel constitucional está sendo negligenciado pelas atuais autoridades. O governo federal é um governo fora da lei, criminoso em sua prática política e opera de maneira genocida com vistas a nos expulsar de nossos territórios, massacrando nossa cultura, fazendo sangrar nossas raízes.”

É hora de fazer as vozes indígenas ecoarem nos quatro cantos do mundo. Manifeste-se e aja em solidariedade com os povos indígenas do Brasil. Eles estão resistindo aos ataques do governo Bolsonaro. Não podemos desistir até que os povos indígenas sejam respeitados como sociedades contemporâneas, tenham suas terras protegidas, e sejam livres para determinar seu próprio futuro.