Sobreviventes do massacre de Haximu seguram urnas contendo as cinzas de seus parentes mortos.

Sobreviventes do massacre de Haximu seguram urnas contendo as cinzas de seus parentes mortos.
© C Zacquini/ Survival

A Coordenadoria das Organizações Indígenas do Estado do Amazonas (COIAM) na Venezuela e a Horonami Organização Yanomami (HOY), divulgaram um comunicado para marcar os 20 anos desde o massacre de 16 índios Yanomami ocorrido em julho de 1993 na comunidade de Haximú, perto da fronteira com o Brasil.

A declaração expressa a ‘profunda dor’ dos índios resultando da morte de seus parentes Yanomami ocorrida nas mãos de garimpeiros brasileiros e alerta para o crescente número de garimpeiros ilegais que continuam a atuar em suas terras, trazendo doenças e aumentando as possibilidades de novos conflitos.

As organizações descrevem a presença de acampamentos de garimpeiros em várias áreas remotas do território, trazendo consequências nefastas para as comunidades como a introdução de doenças; a contaminação dos rios com mercúrio; o uso de violência contra homens e mulheres, além dos mais diversos problemas socioculturais e ambientais.

Afirmam ainda que a HOY já comunicou às instituições competentes sobre a presença de garimpo ilegal na terra Yanomami, solicitando que sejam tomadas medidas urgentes para impedir sua entrada. Mas até o momento não receberam nenhuma resposta efetiva.

A declaração lembra também que o suposto massacre ocorrido em setembro de 2012 na comunidade de Irothatheri, ainda que não tenha sido comprovado, deixou evidências de que havia garimpeiros atuando na região.

As organizações solicitam ao governo venezuelano que cumpra com os acordos binacionais firmados na ocasião do massacre, perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, onde ambos países se comprometeram a estabelecer ‘um Plano de Vigilância e Controle Conjunto e Permanente, para monitorar e controlar a entrada de garimpeiros e o garimpo ilegal na área Yanomami’.

Veja a declaração aquí (em espanhol).