Mãe de Genivaldo Verá, assassinado por pistoleiros em 2009, próxima ao túmulo de seu filho.

Mãe de Genivaldo Verá, assassinado por pistoleiros em 2009, próxima ao túmulo de seu filho.

© Public Ministry, MS/Survival

Seis homens estão sendo levados a julgamento pelo assassinato de dois índios Guarani mortos no estado brasileiro do Mato Grosso do Sul em 2009.

O caso tem sido descrito, por um procurador da República, como um ‘marco importante’.

Genivaldo Verá e Rolindo Verá foram vítimas de um ataque armado, após a tentativa da comunidade de Y’poi de reivindicar a sua terra ancestral, então, em posse de fazendeiros.

O Ministério Público do Brasil anunciou que entre aqueles que enfrentam as acusações estão políticos e fazendeiros. As acusações que enfrentam são de homicídio; ocultação de cadáveres; disparo de arma de fogo; e lesão corporal contra idoso.

Um dos homens sob investigação, o fazendeiro Firmino Escobar, também fez os Guarani de Y’poi de refém em 2010, emprisionando-os em sua terra, cortando o acesso à comida e a assistência médica.

A Survival International tem gravações em que ele recusa a entrada de um pesquisador da Survival ao lugar. Ele também falsamente negou a existência de índios em sua fazenda.

Rolindo Verá. O seu corpo nunca foi encontrado desde o ataque ocorrido em 2009.

Rolindo Verá. O seu corpo nunca foi encontrado desde o ataque ocorrido em 2009.

© Public Ministry, MS/Survival

O Ministério Público está considerando a abertura de outra investigação policial relativa a outras pessoas que poderiam ter se envolvido no ataque fatal em 2009.

Em declaração à Survival, um indígena Guarani da comunidade de Y’poi disse, ‘Isso é uma ótima notícia. É o que esperávamos.’

Comunidades Guarani têm de enfrentar ataques regulares de pistoleiros contratados por fazendeiros para expulsá-los de suas terras, contudo, os culpados raramente são apreendidos.

O procurador Thiago dos Santos Luz descreveu a decisão como um passo crucial na ‘luta pela efetiva tutela penal dos direitos fundamentais dos índios Guarani de Mato Grosso do Sul, vítimas de constante violência.’

Uma das poucas vezes antes em que um caso de assassinato de um Guarani foi levado aos tribunais, ocorreu em 2011, em que Marcos Veron, um internacionalmente respeitado líder Guarani, foi espancado até a morte em 2003.

O diretor da Survival, Stephen Corry, disse hoje, ‘Essa investigação é encorajadora, porém, o governo brasileiro deve lembrar que há muitas outras mortes de Guarani que seguem não investigadas. Os fazendeiros, há tempos, têm atacado os Guarani com impunidade – a tribo não deveria estar sob ameaça por tomar de volta a terra que é sua de direito.’