Lider religioso Guarani Kaiowá
Lider religioso Guarani Kaiowá
© Fiona Watson/ Survival

Survival International lançou hoje dois filmes destacando a situação dos índios Guarani no Brasil, para marcar o Dia dos Direitos Humanos das Nações Unidas- ONU (10 de dezembro).

O filme ‘É preciso ter coragem’ revela a determinação dos Guarani para que suas terras, que foram roubadas para dar lugar a fazendas e plantações de soja e cana de açúcar, sejam devolvidas a eles.

No filme ‘Os jagunços’, os Guarani expressam sua raiva e apreensão com os fazendeiros que ocuparam suas terras e empregam jagunços para disparar contra eles.

Uma mulher Guarani disse, ‘Imaginam-se uma das balas dessas dos tiroteios que os jagunços fazem durante o dia, a noite… pega uma criança, uma mulher, ou qualquer adulto’.

Muitos Guarani, inclusive Marcos Veron, um líder internacionalmente respeitado, foram assassinados após o seu regresso à sua terra ancestral.

Milhares de Guarani vivem agora em condições terríveis em acampamentos improvisados ao lado de rodovias, ou em reservas superlotadas. No mês passado, Deborah Duprat, vice-procuradora-geral da República, descreveu a reserva de Dourados como ‘talvez a maior tragédia conhecida na questão indígena em todo o mundo’.

Esta semana, o bispo Dom Erwin Kräutler, ganhador do Prêmio Nobel Alternativo, descreveu a situação Guarani como um ‘cruel genocídio’ que o governo está ‘ignorando … diante de seus olhos’.

Um porta-voz Guarani, Anastácio Peralta, está atualmente na Europa, denunciando esta situação crítica. Ele disse, ‘Tiraram as terras, destruíram a natureza, poluíram nossos rios, mancharam nosso chão com sangue de meu povo. Mas não conseguiram destruir nossa língua, nossa reza, nossa cultura, nossa história e nossa resistência. Temos aí a Aty Guasu, que é nossa principal arma pra defender nossa vida e futuro’.

O diretor da Survival, Stephen Corry, disse hoje, ‘Neste Dia dos Direitos Humanos, há Guarani que vivem sem acesso a água potável, em cabanas de lona na beira de rodovias, e outros presos com pouca comida, milhas e milhas adentro dos canaviais. As autoridades brasileiras devem garantir o futuro dos Guarani, concedendo-lhes o direito fundamental de viver em suas terras ancestrais’.

No início deste ano, a Survival International enviou um relatório para a ONU, enfatizando a violência, suicídio, desnutrição e outras ameaças que enfrentam os Guarani.