Indígenas Yanomami da comunidade de Palimiú fogem enquanto garimpeiros ilegais passam de barco atirando contra eles.

Indígenas Yanomami da comunidade de Palimiú fogem enquanto garimpeiros ilegais passam de barco atirando contra eles.
© Survival

Uma grande crise humanitária está se desenvolvendo na Terra Indígena Yanomami. Nos últimos meses, várias comunidades foram vítimas de repetidos ataques violentos de garimpeiros fortemente armados que operam ilegalmente no território. Após um ataque à comunidade Palimiu, duas crianças pequenas morreram afogadas no rio enquanto tentavam escapar.

No dia 5 de junho, um grande grupo de garimpeiros entrou na comunidade Maikohipi e disparou bombas de gás lacrimogêneo, forçando os Yanomami a fugir para a floresta.

De acordo com o órgão de saúde indígena, Condisi -YY, outra comunidade, Walomapi, está sob constante ataque desde 10 de maio. O último ataque ocorreu dia 13, na comunidade Palimiú, às margens do rio Uraricoera, onde os garimpeiros atracarem com os disparos. Os indígenas precisaram se esconder na mata para fugir dos tiros.

Junior Hekurari Yanomami, presidente da Condisi -YY disse: “Eles [indígenas de Palimiú] não conseguem dormir direito, não conseguem cuidar da comunidade, das suas famílias, sair na floresta para pescar e caçar. Estão cuidando hoje da segurança de vida. Outras comunidades fugiram para a floresta. Os garimpeiros estão trabalhando como se fosse na casa deles. Estão intimidando todos os Yanomami, com todos os tipos de armas militares e fuzil”

Desde 30 de abril, as organizações Yanomami enviaram mais de seis apelos desesperados às autoridades. Um juiz federal determinou no dia 12 de maio que o governo federal garanta e mantenha proteção permanente na região de Palimiu para garantir a segurança das comunidades Yanomami. Em 24 de maio, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que o governo tome imediatamente “todas as medidas necessárias" para proteger a vida, saúde e segurança de populações indígenas da Terra Indígena Yanomami”. A ONU e a OEA também condenaram a violência e pediram às autoridades para agir imediatamente, mas até agora pouco foi feito.

Somene em 14 de junho o Ministério da Justiça autorizou o envio da Força Nacional à Terra Indígena Yanomami e sua permanencia no local por 90 dias.

Segundo Dario Kopenawa, vice-presidente da Associação Yanomami Hutukara: “Nós do povo Yanomami, queremos que as autoridades brasileiras reconheçam os problemas que estamos enfrentando na Terra Indígena Yanomami. Hoje, aproximadamente, são 20 mil garimpeiros no território, destruindo a nossa terra, acabando e poluindo com os nossos rios, e também prejudicando a saúde dos povos Yanomami e Ye’kuanna.”

Comunidades Yanomami de indígenas isolados são altamente vulneráveis a ataques e a doenças transmitidas pelos garimpeiros, e o temor por sua segurança cresce a cada dia.

Garimpeiros ilegais foram vistos perto dos Moxihatatea (Yanomami isolados). Acima, uma imagem aérea das casas comunais dos Moxihatatea.

Garimpeiros ilegais foram vistos perto dos Moxihatatea (Yanomami isolados). Acima, uma imagem aérea das casas comunais dos Moxihatatea.
© Guilherme Gnipper Trevisan/FUNAI/Hutukara

Os impactos sociais e ambientais da invasão são imensos: 20.000 garimpeiros ilegais estão poluindo os rios com mercúrio altamente tóxico. Vários estudos mostraram que algumas comunidades Yanomami próximas às áreas de mineração apresentam níveis de intoxicação por mercúrio acima do limite recomendado pela OMS.

Os garimpeiros também estão destruindo a floresta – um relatório recente da Hutukara revelou que 2.400 hectares de floresta foram destruídos. Em 2020, o desmatamento aumentou 30%.

O líder Yanomami e xamã Davi Kopenawa, presidente da Associação Yanomami Hutukara disse: “Você vê a água suja, o rio amarelado, tudo esburacado. Homem garimpeiro é como um porco de criação da cidade, faz muito buraco procurando pedras preciosas como ouro e diamante. Realmente, retornou. Há vinte anos conseguimos mandar embora esses invasores e eles retornaram. Estão entrando como animais com fome, à procura da riqueza da nossa terra. Está avançando muito rápido. Está chegando no meio da terra Yanomami. O garimpo já está chegando na minha casa.”

Os garimpeiros também estão espalhando malária e Covid-19. Nos últimos cinco anos, os casos de malária aumentaram 500%. Em 2020, a secretaria de saúde indígena registrou 20.000 casos de malária. Mais de um terço do total da população Yanomami pode ter sido exposta ao Covid-19, formando uma combinação letal que está devastando sua saúde e capacidade de se alimentar. Crianças Yanomami estão morrendo de malária, pneumonia e desnutrição.

Para apoiar os Yanomami, por favor, envie um email para o governo agora.