Os ataques têm forçado os Guarani a enfrentar o perigo de atravessar um rio usando apenas uma corda estreita para conseguir comida.

Os ataques têm forçado os Guarani a enfrentar o perigo de atravessar um rio usando apenas uma corda estreita para conseguir comida.
© MPF/Survival

A Survival International tem recebido notícias de que caminhões cheios de homens armados estão usando violência para forçar índios Guarani do Brasil a fugir de suas terras, temendo por suas vidas.

O antropólogo Tonico Benites disse à Survival: ‘O risco de vida é iminente. A qualquer momento, uma criança pode morrer’.

Benites relatou que seu tio ficou cego de um olho depois de um recente ataque contra as comunidades de Pyelito Kuê e M’barakai, no estado de Mato Grosso do Sul.

Os Guarani afetados pela violência descreveram que foram forçados a correr para garantir sua segurança, depois que tiveram suas barracas incendiadas, roupas queimadas, e famílias ameaçadas.

Um Guarani contou que ‘Faroletes e lanternas estão focando pra lá e cá, as crianças e idosos não conseguiram correr. Os meus olhos enlagrimando (sic) escrevi este fato. Quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil’.

Segundo informações, pistoleiros têm bloqueado estradas, destruído uma ponte que dá acesso aos índios e, assim, cercando os Guarani e impedindo a entrada de comida e assistência médica.

Esse é apenas um de uma série de ataques que vêm acontecendo contra este grupo de Guarani desde o início de agosto de 2011. Os ataques são respostas à tentativa dos índios de reocupar sua terra ancestral, roubada na década de 1970 e ocupada por fazendeiros.

Os Guarani também foram perseguidos em 2003 e 2009 quando tentaram reocupar sua terra ancestral.

O Diretor da Survival, Stephen Corry, disse: ‘É chocante que os Guarani sejam repetidamente perseguidos por tentarem reocupar a terra que os pertence. O governo brasileiro deve atuar rapidamente, antes que mais vidas inocentes sejam perdidas’.

O governo do Brasil tem condenado os atos de violência. A Survival escreveu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), pedindo para que medidas urgentes fossem tomadas para proteger os Guarani, e ao Ministério da Justiça do Brasil, urgindo para a demarcação de suas terras, como estabelecido na própria constituição brasileira.