Homem Guarani. A Shell está usando cana de açúcar plantada nas terras dos Guarani.

Homem Guarani. A Shell está usando cana de açúcar plantada nas terras dos Guarani.
© Fiona Watson/ Survival

Índios da tribo Guarani, no Brasil, exigiram que a gigante da energia, Shell, pare de usar suas terras ancestrais para produção de etanol.

Ambrosio Vilhalva, um Guarani de uma das comunidades afetadas, disse à Survival International, ‘A Shell tem que sair das nossas terras … as empresas têm que parar de trabalhar na terra dos indígenas. Queremos a justiça, e a demarcação das nossas terras.’

A Shell se uniu com a Cosan, empresa brasileira de etanol, em um empreendimento conjunto chamado Raízen. Parte do etanol da Raízen, que é vendido como biocombustível, é produzido a partir de cana-de-açúcar cultivada em terras ancestrais dos Guarani.

Em uma carta para as empresas, os índios advertem que ‘Depois que começou a funcionar a usina, a saúde ficou ruim para todos – crianças, adultos e animais’.

Acredita-se que os produtos químicos usados nas plantações de cana estão causando diarréia aguda entre as crianças Guarani, além de estarem matando peixes e plantas.

Muita terra dos índios Guarani está sendo usada pela produção de cana de açúcar

Muita terra dos índios Guarani está sendo usada pela produção de cana de açúcar
© Survival

Os Guarani relatam, ‘Acabou remédios de vários tipos, que dá no mato, na beira do rio. A planta acabou pelo envenenamento’.

Continuam, ‘A usina nunca pediu permissão nem consultou com os índios para plantar em nossas terras’.

Até agora o governo brasileiro tem fracassado em defender suas próprias leis, deixando de mapear e proteger as terras para que fossem de uso exclusivo dos Guarani, e deixando-os vulneráveis à exploração de canaviais.

Enquanto isso, muitos Guarani ainda vivem em condições desumanas, em reservas super-povoadas ou acampados à beira de estradas.

Dezenas de Guarani foram assassinados ao tentar reocupar suas terras, e muitos outros foram expostos a atos de violência. Os Guarani de Pueblito Kuê foram os últimos a sofrer ataques, uma vez que reocuparam sua terra no mês passado.

O Diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje, ‘É uma triste ironia que as pessoas comprem o etanol da Shell como uma ‘alternativa’ ética para combustíveis fósseis: certamente não há nada ético sobre o horrendo tratamento dispensado aos Guarani. O governo brasileiro precisa cumprir suas leis, e parar com a destruição em massa de terras indígenas’.

Faça o download do relatório de Survival para a ONU, sobre a situação desesperadora dos Guarani (pdf, 2.2MB).