A jovem Guarani Deuci Lopes foi atropelada e morta na rodovia que passa ao lado da terra de sua comunidade.

A jovem Guarani Deuci Lopes foi atropelada e morta na rodovia que passa ao lado da terra de sua comunidade.

© Spensy Pimentel

Uma jovem Guarani conhecida como Deuci Lopes foi atropelada e morta por um caminhão na rodovia que passa pela terra ancestral de sua comunidade localizada no Mato Grosso do Sul.

Testemunhas Guarani disseram que o caminhão estava carregado com cana de açúcar da fazenda São Fernando – a mesma fazenda que tem ocupado a terra da comunidade de Deuci, forçando os índios a acampar na beira da rodovia.

O caminhoneiro fugiu após a colisão. Deuci faleceu no local.

Deuci era mãe de um bebê de dois anos. Ela é a sexta pessoa da comunidade a ser atropelada e morta nesta rodovia desde 2009. No último mês de março, um menino de quatro anos foi morto no mesmo trecho.

Muitos Guarani se tornaram alvo e foram mortos por causa de suas lutas pela terra.

Famílias Guarani da comunidade Apy Ka’y estão acampadas na beira desta estrada por mais de uma década, à espera do governo para demarcar sua terra e devolvê-la para eles, como é legalmente obrigado a fazer.

Tonico Benites, um porta-voz dos Guarani disse: ‘Acreditamos que a demora em demarcar as terras e as seguidas reintegrações de posse são as principais razões para estes atropelamentos. Se a terra tivesse sido demarcada e a comunidade nela, nada disso teria acontecido’.

Recentemente alguns membros da comunidade reocuparam um pequeno pedaço de sua terra ancestral onde estão vivendo no momento, cercado por cana de açúcar, sofrendo ameaças de morte frequentes e violentos ataques nas mãos de pistoleiros dos fazendeiros.

A líder da comunidade Damiana Cavanha está determinada a permanecer em sua terra ancestral, apesar das frequentes ameaças de morte.

A líder da comunidade Damiana Cavanha está determinada a permanecer em sua terra ancestral, apesar das frequentes ameaças de morte.

© Fiona Watson/Survival

Um juíz emitiu uma ordem de despejo para expulsar os Guarani desta terra reocupada. Damiana, líder da comunidade disse, ‘Eu não vou correr não, eu sou mulher, eu sou guerreira, eu não tenho medo não, eu não vou sair não!’

Apoie a campanha para que o direito à terra da comunidade de Damiana seja respeitado.