Homem Guarani. Pistoleiros têm se posicionado em torno de uma comunidade Guarani, e disparado tiros.

Homem Guarani. Pistoleiros têm se posicionado em torno de uma comunidade Guarani, e disparado tiros.

© Fiona Watson/Survival

Índios Guarani no Brasil temem um derramamento de sangue iminente, conforme pistoleiros conhecidos por terem assassinado lideranças indígenas nos últimos anos têm se posicionado ao redor deles, e disparado tiros.

Os Guarani têm relatado que os pistoleiros, da notória empresa de segurança, Gaspem, foram contratados por fazendeiros locais e se posicionaram em torno de 100 metros de distância dos índios.

Um homem Guarani no local disse à Survival, ‘Isso é guerra. Os pistoleiros estão nos ameaçando e eles querem nos matar. Eles querem extinguir todos nós, mas isso não vai acontecer porque nos índios somos fortes e nossos líderanças espirituais estão aqui. Queremos que o mundo saiba o que está acontecendo conosco.’

Os Guarani disseram que os pistoleiros são da notória empresa de segurança Gaspem, que tem sido classificada como uma ‘milícia privada'.

Os Guarani disseram que os pistoleiros são da notória empresa de segurança Gaspem, que tem sido classificada como uma ‘milícia privada’.

© Survival International

Em setembro deste ano, o Ministério Público ordenou o fechamento da Gaspem, descrevendo a empresa como uma ‘milícia privada … que dissemina violência contra os Guarani-Kaiowá… através de pessoas brutais nominadas ’vigilantes’’.

A violência segue uma recente retomada de uma parte da terra ancestral dos Guarani, que foi roubada deles para abrir caminho para uma fazenda de gado há quase 40 anos.

Cerca de 500 Guarani, da comunidade de Yvy Katu, voltaram a esta terra em outubro de 2013, incapazes de suportar mais as condições precárias que enfrentam no pequeno pedaço de terra onde tinham vivido desde 2004.

Milhares de Guarani no Brasil estão pressionando para que todo seu território ancestral seja devolvido a eles, um direito garantido pela Constituição do Brasil, mas o processo de demarcar sua terra está quase parado, forçando os Guarani a suportar desnutrição, doenças, violência e uma das maiores taxas de suicídio do mundo.

Muita terra Guarani foi transformada em vastas plantações de cana de açúcar a partir das quais empresas estrangeiras, como a gigante estadunidense, Bunge, compram cana.

Vários líderes Guarani foram mortos por pistoleiros após a sua reocupação de parte de suas terras.