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Índia: Ativista indígena é preso após protestar contra projeto de hotel de luxo

13 julho 2026

© Comitê de Direitos Humanos e Terras da Grande Kaziranga
O ativista indígena Pranab Doley é preso por protestar contra a construção de um hotel de luxo da rede Hyatt nas proximidades do Parque Nacional de Kaziranga, na Índia.

Dezenas de policiais prenderam o ativista de direitos indígenas Pranab Doley e outros dois indígenas na Índia. Outros dois se entregaram depois que a polícia foi procurá-los.

No domingo, a polícia cercou a casa onde Pranab estava hospedado e o levou sob custódia e sem mandado de prisão.

Sua prisão, que foi filmada, ocorreu após anos de campanha contra violações de direitos humanos relacionadas a projetos de conservação ambiental e contra os planos de construção de um hotel cinco estrelas próximo ao Parque Nacional de Kaziranga — criado em terras indígenas.

Todos eles enfrentam uma longa lista de acusações sem direito a fiança – incluindo causar desordem com arma letal, dano agravado por incêndio ou explosivos e agressão a uma mulher. As acusações são forjadas.

Ao ser preso, Pranab, do povo indígena Mising, disse: “Que tipo de democracia é essa, se não nos é permitido ouvir a voz do povo? Os policiais que vieram me prender não mostraram nenhum mandado de prisão.”

Há muito tempo o Parque Nacional de Kaziranga é palco da violência e brutalidade com que seus guardas tratam os indígenas que antes viviam lá - mas que foram expulsos e agora vivem nas suas margens.

Já há muitos anos, o parque mantém uma política de “atirar para matar”, o que já resultou na morte de dezenas de pessoas no local.

© Agence France Presse
Guardas armados em patrulha no Parque Nacional de Kaziranga, na Índia. A BBC revelou que os guardas florestais de Kaziranga haviam atirado e matado 106 pessoas em 20 anos.

O plano para a construção do hotel Hyatt já teria levado ao despejo de mais de 45 famílias indígenas e afetará os meios de subsistência de centenas de outras. Ele faz parte de um plano mais amplo do governo de Assam, estado do nordeste da Índia, para transferir vastas extensões de terra próximas ao parque para empresas privadas, com o objetivo de construir resorts de luxo.

O Comitê de Proteção à Terra e aos Direitos Humanos da Grande Kaziranga (GKLHRPC), do qual Pranab Doley é o coordenador, afirmou em comunicado: “[Nós] negamos essas graves acusações direcionadas e impostas a Pranab Doley e a outros ativistas, e exigimos sua libertação imediata.”

“Condenamos veementemente o tratamento ilegal infligido a Pranab Doley e a outros ativistas. Exigimos a libertação imediata e incondicional dos três ativistas e o fim do assédio do governo do estado de Assam contra ativistas indígenas que vêm defendendo os direitos das comunidades afetadas.”

A diretora da Survival International, Caroline Pearce, afirmou hoje: “O senhor Doley não fez nada de errado e deve ser libertado imediatamente. Pelo contrário: ele está se levantando contra a apropriação ilegal de terras, os despejos e os abusos impostos aos povos indígenas na Índia em nome da ‘conservação ambiental’. Essas prisões são mais um exemplo dessa repressão. As autoridades devem libertar o senhor Doley e os demais ativistas que foram presos, e deixar de priorizar a conservação ambiental e o turismo em detrimento dos direitos fundamentais dos povos indígenas.”

 

Nota aos editores:

As pessoas que se encontram atualmente sob custódia são:

  • Pranab Doley — mantido em prisão preventiva por 7 dias
  • Amit Nag e Brijit Kutum — sob custódia policial
  • Bhaskar Saikia e Rajiv Pegu — entregaram-se ao tribunal e foram detidos

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